A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Alagoas (OAB/AL) foi instituída em 21 de janeiro de 1932, pouco mais de um ano após a criação da OAB em âmbito nacional. Desde então, a entidade construiu uma trajetória marcada pela defesa intransigente das prerrogativas da advocacia, do Estado Democrático de Direito, da cidadania e dos direitos humanos, tornando-se uma das instituições mais relevantes da vida pública alagoana.
A consolidação da OAB Alagoas está diretamente ligada ao fortalecimento do ensino jurídico no estado, especialmente com a criação da Faculdade de Direito de Alagoas (FDA), em 1931, primeira do estado e quarta do Nordeste. A formação das primeiras gerações de bacharéis contribuiu para estruturar a advocacia local e dar base institucional à atuação da Ordem. Seu primeiro presidente foi o jurista José Quintella Cavalcanti, responsável por organizar a Seccional e estabelecer seus fundamentos administrativos e éticos.
Ao longo do século XX, a OAB/AL acompanhou e participou ativamente dos principais momentos políticos e institucionais do país. Durante o regime militar instaurado em 1964, a Ordem passou por um processo de amadurecimento institucional, assumindo progressivamente uma postura firme na defesa das liberdades democráticas e dos direitos humanos. Advogados alagoanos tiveram atuação destacada na assistência jurídica a presos políticos e perseguidos pelo regime, enfrentando censura, repressão e riscos pessoais. A trajetória de resistência inclui nomes que se tornaram referência nacional, como Jayme Amorim de Miranda, sequestrado e morto pela ditadura, e Marcello Lavenère Machado, que mais tarde presidiria o Conselho Federal da OAB.
A OAB Alagoas também teve protagonismo no cenário nacional por meio de seus representantes. Alagoanos ocuparam a presidência do Conselho Federal da OAB em momentos decisivos da história brasileira, como Povina Cavalcanti, Hermann Baeta e Marcello Lavenère, este último um dos protagonistas do pedido de impeachment do presidente Fernando Collor, em 1992, reafirmando o papel da Ordem como instituição essencial à democracia.
No processo de redemocratização, a OAB/AL fortaleceu sua atuação institucional, ampliou sua presença no interior do estado com a criação de subseções — a primeira em Arapiraca, em 1982 —, instituiu a Caixa de Assistência dos Advogados de Alagoas (CAA/AL), em 1978, e investiu na formação continuada da advocacia por meio da criação da Escola Superior de Advocacia (ESA/AL), em 1988.
Nas últimas décadas, a Seccional avançou na modernização de sua estrutura, com a inauguração da nova sede em Jacarecica, em 2013, e consolidou seu compromisso com a inclusão e a diversidade, adotando políticas de paridade de gênero e cotas raciais em suas chapas eleitorais e nos processos do Quinto Constitucional. Em 2016, Fernanda Marinela tornou-se a primeira mulher a presidir a OAB Alagoas, marco histórico para a advocacia local e nacional.
Ao longo de mais de nove décadas, a OAB Alagoas reafirma seu papel como instituição permanente da sociedade civil, essencial à Justiça e à democracia, preservando sua memória, honrando sua história e projetando o futuro com responsabilidade, pluralidade e compromisso com os valores republicanos.